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Curso de Psicologia da FEPI desenvolve projeto de apoio a homens agressores em parceria com TJMG

 
13 de novembro de 2017

Além de cuidar da mulher que sofre uma agressão, é fundamental buscar formas de combater esse crime, cuidando e tratando também, do agressor; é isso que visa o Projeto Conviver, promovido por meio de uma parceria entre o Curso de Psicologia do Centro Universitário de Itajubá – FEPI, Tribunal de Justiça de Minas Gerais, Ministério Público do Estado de Minas Gerais, Defensoria Pública do Estado de Minas Gerais, Superintendência Regional de Ensino de Itajubá, CREAS - Centro de Referência Especializado de Assistência Social de Itajubá e CAPS Ad - Centro de Atenção Psicossocial – Álcool e drogas.

O projeto que teve início no começo desse ano, objetiva trazer novas formas de lidar com casos de violência contra a mulher em Itajubá e no Sul de Minas, criando e aplicando políticas públicas dentro da perspectiva de que a real mudança nesse contexto não é possível quando se trabalha exclusivamente com a vítima. Assim, são realizados trabalhos com os homens autores de violência contra as mulheres; encaminhando-os a grupos de caráter socioeducativos, conduzidos por estagiários do curso de Psicologia do Centro Universitário de Itajubá – FEPI, com a supervisão da Coordenadora da Clínica-Escola e de Estágios, Profª. Ma. Regina Célia Teixeira.

O trabalho estimula a participação desses homens no processo de responsabilização de suas atitudes e na compreensão de fatores históricos e culturais que contribuem para a sua atuação violenta.

A Profª Regina explicou que são trabalhados dois grupos por ano; as reuniões semanais têm duração de 01h30 e são conduzidas por três estagiários do 5º e 6º período do Curso de Psicologia, sob sua supervisão. “É um grupo de reflexão que é realizado por meio de oficinas temáticas que proporciona aos participantes um contexto propício para que cada um possa adquirir uma postura reflexiva em relação ao seu cotidiano, rever suas atitudes, sobretudo em relação a violência doméstica e familiar, além de possibilitar o fortalecimento na rede pessoal e social”.

Os temas trabalhados são: “O que significa ser homem, relacionamentos interpessoais, papel da comunicação e a solução de conflitos, agressividade X assertividade X não assertivo, violência (física, psicológica, sexual, moral, verbal e patrimonial), papeis familiares e sociais, repensando a violência e, como conclusão, o feedback. Ao final de cada ciclo é enviado ao juiz responsável, um relatório individual com parecer psicológico e a frequência dos participantes.

“Os alunos demonstram motivação e interesse na aprendizagem do conhecimento científico da Psicologia e atividades desenvolvidas junto à comunidade, bem como o desenvolvimento da relação entre compromisso social e exercício profissional. Eles começaram aprender a discernir o pessoal (julgamentos e raiva dos agressores), com o profissional (o ser humano que precisa de ajuda)” salientou a Profª. Regina Célia.

Os resultados do projeto têm sido muito positivos conforme relatou a Psicóloga Judicial, Marize Bustamante Monti: “Dos agressores reincidentes encaminhados e que cumpriram o ciclo de palestras, até a presente data não tivemos notícias de novos atos de agressão contra a mulher”. Ela relatou ainda “Em um caso a assistida, vítima, compareceu e informou que não mais precisaria das medidas, a não ser a obrigação do agressor participar das palestras, já que após seu início no projeto conviver a melhora se mostrou bastante significativa, a ponto de acreditar não serem mais necessárias as proibições de aproximação e contato”.

Os maiores desafios, segundo Marize, são: “Desconstruir estereótipos que há anos vem sendo passados de geração em geração e que associam a masculinidade a um modo de ser guerreiro, violento, controlador. Pois estes estereótipos criam uma conivência para perpetuação de comportamentos agressivos e à minimização desses atos como algo negativo. Como se ao homem fosse permitido ser agressivo”.

A respeito dos frutos que o projeto tem gerado a psicóloga judicial, salientou: “É satisfatório vislumbrar a possibilidade de uma reconstrução familiar, uma vez que quando não há o uso de drogas e álcool, a grande parte destes agressores são bons pais, honestos e trabalhadores e que mantêm bom relacionamento com suas famílias de origem, apesar da violência que estão cometendo”.
Na visão da aluna Julia Saia Fernandes a vivência no Projeto conviver tem sido muito válida: “Para mim, a experiência nesse estágio é uma oportunidade única e desafiadora. Nossos erros, acertos, dúvidas, angústias, expectativas se materializam na prática, proporcionando além do desafio, a possibilidade de vivenciar nossa escolha profissional e aprender muito mais”.

“O grupo Conviver foi de grande experiência e agregou muito conhecimento. A insegurança e o medo se fizeram presentes no início, porém ao me deparar com minhas capacidades, conhecimentos sobre o assunto acredito ter chegado ao objetivo dentro do grupo que foi de poder ajudar os participantes de alguma forma a repensarem seus atos e serem pessoas melhores dentro de suas casas e também permitiu para que eu soubesse a forma de atuar profissionalmente discutindo assuntos de reflexão com os participantes”, disse Cristina Oliveira Ventura. No primeiro semestre foram encaminhados 08 participantes somente 04 concluíram. No segundo semestre foram encaminhados 07 homens e 05 concluíram.

“Este é mais um projeto de estágio do Curso de Psicologia que busca articular a teoria e a prática, contribuindo para a formação de nossos alunos, e, além disso atende a demanda da comunidade” complementou a coordenadora do curso de psicologia da FEPI, Profa. Drª. Rosana Maria Mohallem Martins.

A elaboração do Projeto foi realizada pelo Setor de Estudos Técnicos do TJMG – Comarca de Itajubá, integram a equipe, a Psicóloga Judicial, Marize Bustamante Monti; a Assistente Social Judicial, Mayla Martins Costa e a Assistente Social Judicial, Raquel Cardins Girão.
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